Você é, ou deveria ser, a pessoa mais especialista em você que existe. Ninguém melhor do que você para identificar os problemas que enfrenta. Só que você já deve ter percebido que não podemos resolver um problema enquanto desconhecemos sua existência. Mesmo sendo o seu maior especialista, existe uma coisa que eu chamo de “a mãe de todos os problemas“. Ela é que impede você de acessar a raiz do problema.

A mãe de todos os problemas está no fato de que somente as consequências dos problemas são claramente visíveis e perceptíveis. Podemos ver e sentir as consequências dos problemas com muita clareza, mas não temos essa clareza quando buscamos as causas. O problema não está nas consequências.

A facilidade que temos em observar as consequências nos faz acreditar que essas consequências são os problemas. Tentamos eliminar as consequências, tentamos reduzir o sofrimento gerado pelos sintomas, mas isso não resolve os problemas e eles acabam retornando através de novas consequências.

Sendo educador financeiro sempre estou em contato com pessoas que acreditam que possuem problemas com relação ao dinheiro. Na maioria das vezes os problemas financeiros que enfrentam são consequências financeiras de problemas (causas) que não estão relacionadas com o dinheiro. Não é fácil enxergar os problemas, mas as consequências podem ser sentidas na pele.

 

Observe a figura acima. Preste atenção na pergunta que irei fazer: “Maria viu um filhote de cachorro em uma janela. Ela queria uma coisa. O que Mary queria?”

Já faz algum tempo que assisti um filme onde um cientista entrevistava máquinas que possuíam inteligência artificial. Essa pergunta sobre a menina, o cão e a janela foi feita para uma inteligência artificial em um processo chamado Teste de Turing. O objetivo era testar a capacidade da máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano.

O teste que apareceu no filme chamou minha atenção, pois é difícil encontrar alguém que enxergue a realidade como um ser humano deveria enxergar. Nessa sociedade que temos hoje as pessoas costumam enxergar a realidade como animais (movidas por instintos) ou como máquinas (movidas por uma racionalidade fria). A visão humana da realidade é uma coisa rara, pois raras são as pessoas que são verdadeiramente humanas (que já atingiram o ideal humano, aquilo que podemos ser um dia).

Pessoas e máquinas comuns responderiam essa pergunta dizendo que Maria queria o filhote de cachorro. A inteligência artificial do filme respondeu que a menina queria a janela, completando que as janelas são uma abertura para o mundo externo e isso a faria sentir menos solidão. A máquina conseguiu compreender que o verdadeiro problema da menina era a solidão. O que ela realmente queria não era o cão e a janela era apenas um meio para reduzir consequências da solidão.

A palavra inteligência vem de inter e legere (latim) que significa “ler entre” ou “ler as entrelinhas”. Inteligência é a nossa capacidade juntar as coisas e extrair o significado que está por trás. São poucas as pessoas que tentam observar, ler, ouvir para depois conectar e extrair alguma coisa das entrelinhas. Por este motivo as pessoas perdem muito tempo e energia tentando resolver os sintomas, sem perceberem onde está o verdadeiro problema. Falta a capacidade de enxergar as raízes mais profundas.

Vamos transportar a situação da menina para a sua vida. Quando você está diante de uma vitrine onde existe um objeto à venda. O que você realmente quer? Será mesmo que você quer o sapato, relógio, carro ou qualquer outro objeto? Será que a falta é realmente do objeto? Será que a sua falta não está nas entrelinhas?

Agora expanda esse pensamento para todas as áreas da sua vida. Será que o seu problema de saúde não seria uma consequência de um problema que está na raiz? Será que os problemas que você enfrenta na sua vida profissional não seriam apenas sintomas do mesmo problema que está na raiz e que também gera consequências na sua saúde física, mental e financeira?

Quando você entende que existe uma enorme diferença entre os sintomas as consequências e os problemas, você passa a refletir mais sobre a raiz do problema que é o único lugar onde os problemas podem ser resolvidos.

Combater sintomas é como enxugar gelo. Os resultados são temporários e não definitivos.

Veja um exemplo com relação a autoestima. Autoestima, em psicologia, é a avaliação que uma pessoa faz de si mesma. A baixa autoestima (uma avaliação negativa de si) acaba gerando diversas consequências negativas na saúde, nos relacionamentos e na vida financeira das pessoas.

Compras compulsivas e os problemas financeiros gerados por elas podem ser desencadeados e potencializados por baixa autoestima (exemplo). Baixa autoestima pode provocar ou potencializar problemas de saúde (física e mental), problemas no relacionamento amoroso, no relacionamento com amigos e coletas de trabalho.

Se você fosse uma árvore como a que aparece na figura, a autoestima não seria a raiz. Ela seria o tronco da árvore. Uma pessoa que não conhece a si mesma e que tem uma imagem negativa de si mesma não tem o tronco forte e sólido onde se sustentam suas realizações na vida profissional, financeira e pessoal.

Nas nossas raízes estão nossos valores e nossas virtudes. Quando buscamos o desenvolvimento dessas raízes passamos a ter uma autoestima forte como tronco maciço e inabalável. Sobre esse tronco forte, que é a visão que temos de nós mesmos, é que depositamos todos os galhos da nossa vida (galho da vida financeira, profissional, pessoal, da nossa saúde, etc) e desses galhos é que surgem todos os frutos que iremos colher.

Olhando a figura acima podemos ver apenas algumas qualidades que podemos desenvolver (raízes) e que se forem deficientes podem gerar problemas no tronco (autoestima) e consequentemente nos galhos e nos frutos.

Dessa forma, baixa autoestima ainda não é origem do problema. Se você tem uma avaliação ruim sobre você mesmo só existem duas alternativas:

  1. Sua avaliação negativa sobre você está certa e você não está fazendo nada para melhorar.
  2. Sua avaliação negativa sobre você está errada e você não está fazendo nada enxergar a verdade.

Os dois problemas acima talvez se originem na frase que iniciou esse artigo. Você deveria ser a pessoa mais especialista em você que existe. Ninguém deveria conhecer você melhor do que você. A baixa autoestima na verdade é uma consequência da falta de autoconhecimento. Você não conhece com profundidade aquilo que está por baixo, não conhece as raízes, aquilo que só você pode ver. Somente conhecendo suas raízes e trabalhando essas raízes é que você terá uma imagem positiva sobre você e terá a base sólida para ramificar e frutificar na vida.

No momento que você entender a diferença entre consequência e problema e que para enxergar as origens dos problemas você precisa olhar para dentro (autorresponsabilidade), para suas raízes, você já terá dado um passo muito importante. Será como abrir as janelas de um quarto escuro permitindo a entrada da luz do Sol (luz da verdade). Abrir a janela não vai diminuir a distância entre você e o Sol (entre você e a verdade), mas vai ser suficiente para permitir que você enxergue o que precisa mudar.

Você verá que todos os seus problemas são consequências diretas ou indiretas de qualidades (virtudes) que você ainda precisa desenvolver como a sabedoria, coragem, perseverança, responsabilidade, justiça, honestidade, prudência, autocontrole, humildade, gratidão, etc. Existem inúmeras qualidades humanas que podemos desenvolver e para cada uma temos consequências positivas ou negativas.

A vida impõe testes diários de avaliação dessas qualidades. Sua falta sempre resultam em consequências que enxergamos como o problema, mas que na verdade são apenas sintomas, frutos ruins de raízes deficientes.

Se a mãe de todos os nossos problemas é nossa dificuldade de enxergar nossas raízes, ou seja, de ter autoconhecimento, o pai de todos os problemas eu chamo de “Resistência”.

Para desenvolver ou melhorar suas qualidades humanas (virtudes) você obrigatoriamente precisa agir. Você precisa tomar decisões e depois executar aquilo que foi decidido de forma persistente, constante, sem desistir até vencer seus vícios e defeitos pelo cansaço, pois você enfrentará de frente as forças da sua “Resistência”.

Sem a verdadeira guerra interior que precisamos travar contra nossa “Resistência” é impossível promover mudanças que possam resolver nossos problemas de forma definitiva.

Se você gosta desses temas abordados no artigo e gostaria de aprofundar, recomendo que assista o vídeo abaixo e depois (clique aqui) para conhecer o material que venho estudando. O link logo abaixo do vídeo também possui mais informações.


Visite o site inabalavel para saber mais