Nesta série de artigos vou compartilhar com você tudo que aprendi na guerra que travei para perder meus primeiros 25 kg no decorrer de 141 batalhas diárias. Durante essa jornada descobri que as pessoas estão enganando-se (e deixando-se enganar) com relação aos caminhos que devem seguir para eliminar o excesso de peso de uma vez por todas.

A melhor dieta é a última e a mudança começa dentro da sua cabeça.

Veremos, neste e no próximo artigo, que existe uma indústria bilionária da engorda e do emagrecimento humano. Muitas vezes os mesmos conglomerados industriais que te motivam a consumir alimentos que engordam, também estimulam você a consumir todo tipo industrializado que promete o emagrecimento rápido e sem esforço. Eles te fazem acreditar que a origem do problema é externa.

Trabalhando para sustentar o sistema

Bilhões são gastos todos os anos em estímulos publicitários para que você coma muito e, ao mesmo tempo, seja cada vez mais magro. Isso leva as pessoas a loucura. O fato é que a estabilidade do seu peso significa menos lucros para essas indústrias. Os estímulos são exibidos 24 horas por dia nos mais diversos canais de tv, revistas, jornais e internet. Segundo dados do IBGE, metade da população brasileira adulta está com peso excessivo (fonte).O gráfico abaixo mostra a alta do percentual da população que sofre com o excesso de peso. Comparando com dados passados a pesquisa mostra que os números estão piorando. Essa reportagem mostra que 1 em cada 3 brasileiros será obeso até 2020. Eu sinceramente não pretendo fazer parte dessa estatística e creio que você também não.

As pessoas não percebem, mas vivem presas nesses ciclos de estímulos externos. O pior é que você passará grande parte da sua vida trabalhando (gastando tempo e energia) para pagar todos os custos que você terá para engordar e depois para emagrecer. O resultado final desses ciclos intermináveis de ganho e perda de peso serão indústrias cada vez mais ricas. Você ficará cada vez mais pobre de saúde, pobre de autoestima, pobre de dinheiro e pobre de tempo livre (vida).

Se você já tentou várias dietas, e nenhuma deu certo, é possível que tenha enfrentado o mesmo problema que eu consegui superar nos últimos meses. Seus insucessos ocorreram por você tentar remediar o problema, buscando atalhos rápidos, paliativos ou até falsos. São poucas as pessoas que se livram definidamente do excesso, pelo simples fato de serem poucas as que realmente buscam combater a raiz do problema.

Combater a raiz do problema

Combater a raiz do problema só será uma coisa vantajosa para você. Ao fazer a última dieta da sua vida, você será um ponto fora da curva. Alguém que deixará de gastar dinheiro com uma alimentação excessiva e produtos e serviços que fazem emagrecer. Você deixará de trabalhar para sustentar o sistema. Por este motivo, não espere receber estímulos externos para combater a origem do problema.

A barriga que você tem é uma consequência. A quantidade e a qualidade dos alimentos que você escolhe também é apenas uma consequência. Nenhum problema pode ser totalmente resolvido quando tentamos cuidar apenas das consequências ou dos sintomas. Os problemas só se resolvem, de verdade, quando atacamos suas causas.

As duas coisas

No caso do excesso de peso, a origem do problema está na falta de duas coisas que irei detalhar nesta série de artigos. Vou adiantar que a primeira é a falta de conhecimento e a segunda é falta de autocontrole. A primeira é fácil de resolver, mas ela sozinha não resolve o problema. Já a segunda é impossível conquistar sem a ajuda da primeira.

A falta de conhecimento pode ser sobre você, ou seja, falta de autoconhecimento. Ela pode ser sobre a existência de algum problema orgânico ou psicológico que favoreça sua obesidade.  Pode ser sobre as propriedades nutricionais dos alimentos e a maneira como o seu corpo funciona. Por ser uma ignorância sobre as artimanhas que o mercado utiliza para te fazer engordar ou a não compreensão do impacto da vida moderna nos nossos hábitos que nos levam para o excesso de peso.

Falta de conhecimento é fácil de resolver. Existem médicos, exames, livros, sites na internet, cursos e muitas fontes de informação sobre sua saúde, sobre os alimentos e sua nutrição. Vou compartilhar fontes de conhecimento, mas se o maior problema fosse falta de conhecimento a obesidade já teria sido erradicada do mundo.

Todos já sabem que, em condições normais de saúde, engordamos quando comemos mais do que é necessário. Se conhecimento bastasse, as pessoas comeriam apenas o que é necessário e tudo estaria resolvido.

Posso garantir, depois de vários meses de luta, que o maior de todos os problemas, depois que você aceita que precisa perder peso e se arma de conhecimentos, está na nossa falta de controle sobre nossos instintos, desejos e emoções diante da comida.

  1. Se você não aceita que precisa perder peso, nada acontece.
  2. Se você não aceita que precisa buscar conhecimento sobre o tema, nada acontece.
  3. Se você não desenvolve a capacidade de assumir o controle da sua mente e do seu corpo, nada acontece.

Aprendamos a controlar computadores e equipamentos sofisticados durante a nossa vida, mas não aprendemos a controlar a nós mesmos. O pior é que nunca pensamos nessa possibilidade. Aceitamos que somos o que somos e fica por isso mesmo. Mesmo que você adquira todos os conhecimentos sobre você, seu corpo e os alimentos, sem elevar o seu nível autocontrole você continuará com seu problema.

Toda mudança de hábito alimentar que reduz a ingestão de alimentos que estão acima das suas necessidades, faz você perder peso. Só que para isso é necessário que você realmente coloque a mudança em prática e mantenha ela para sempre. O problema é que sem autocontrole você não conseguirá mudar e manter essa mudança por muito tempo.

Sem autocontrole você será escravizado. Passará a vida toda sendo controlado por impulsos, instintos e compulsões, não só na área alimentar. A falta de controle diante do consumo, jogos, trabalho, dinheiro, prazer, preguiça, entre outros, também geram vários problemas. Por este motivo, ao travar uma guerra interior para assumir o controle da sua vida, na área alimentar, você poderá abrir portas para assumir o controle de outras áreas.

Entendendo a sua guerra interior

Uma guerra se iniciará na sua mente quando tomar a decisão de começar um novo projeto, especialmente quando ele exigir esforço, disciplina, dedicação e algum sacrifício de curto prazo em prol de uma situação melhor no futuro. Essa guerra será travada a partir de duas vozes que ecoam dentro de você. Elas não se calam nunca e estão em constante discussão.

Vamos imaginar que você assumiu o compromisso de perder peso. Logo nos primeiros dias você perceberá o conflito iniciado entre essas duas vozes na sua cabeça. Uma voz gritará energicamente ordenando que você coma aquele doce agora. A outra, sussurrante e muito distante, lembrará sobre a importância de ser forte e resistir ao impulso para que consiga atingir o seu objetivo.

Sua mente se transformará em um campo de batalhas e uma grande guerra começará a ser travada entre duas entidades que juntas formam aquilo que você é. Somos o resultado da interminável guerra entre essas duas vozes. No meu dia a dia eu chamo essas vozes de “eu menor” e “Eu Maior“. Os psicólogos utilizam outros nomes. Filósofos do passado também adotaram seus nomes. Diferentes culturas, em diferentes épocas, adotavam explicações distintas para o mesmo problema.

“Uma noite, um velho índio americano falou ao seu neto sobre o combate que acontece todos os dias dentro das pessoas. Ele disse: – A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é mau e o outro é bom. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: – Qual lobo vence? O velho índio respondeu: – Aquele que você alimenta!”

Nesta série de artigos, vou contar sobre a guerra que travei nos últimos meses contra o meu “eu menor” com o objetivo de reduzir o meu peso. Esse objetivo poderia ter sido qualquer outro que exigisse autocontrole, disciplina, paciência, mudança de hábitos e enfrentamento dos nossos instintos.

Recentemente terminei a minha primeira série de batalhas de uma guerra que não terá fim. Nesta primeira vitória consegui reduzir meu peso em 25 kg, mas a maior conquista foi a satisfação de ter assumido o controle do meu corpo e mente perante a comida. Hoje consigo controlar os impulsos, prazeres e desejos alimentares que me escravizavam e comprometiam minha saúde. Troquei a escravidão de comer apenas o que desejo e proporciona prazer e passei a exercer a liberdade de comer aquilo que eu devo comer, quando e como eu devo comer.

Sempre que te oferecerem alguma guloseima, exatamente no momento que você estiver exercendo seu autocontrole, lembre-se daquela frase do filósofo: “Nem tudo que eu quero, eu posso, nem tudo que eu posso, eu devo”.

A guerra jamais poderá ser vencida de forma definitiva, mas poderá ser administrada e controlada. O meu inimigo, que chamo de “eu menor”, vive dentro de mim, é parte de mim e sua voz será ouvida para sempre. Ele continuará fazendo seu papel que é resistir a qualquer ideia ou ação que caminhe contra os instintos e impulsos mais primitivos do corpo.

No passado, nossos ancestrais coletavam e comiam a maior quantidade possível de alimentos que podiam encontrar na natureza. O objetivo era armazenar sua energia em forma de gordura.

Nosso instinto animal, representado pela voz do “eu menor”, apenas faz o seu trabalho, 24 horas por dia, com enorme excelência. Não é nada pessoal. O seu erro é ignorar os fatos de que dominamos a agricultura, aprendemos como conservar e estocar alimentos e dispomos de supermercados em cada esquina. A nossa sociedade se desenvolveu e a nossa biologia e mente continuam as mesmas dos nossos ancestrais.

Uma frase atribuída ao Freud diz que: “A renúncia progressiva dos instintos parece ser um dos fundamentos do desenvolvimento da civilização humana“. Outra frase atribuída a ele diz que: “A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos”.

Perdi meus primeiros 25 kg através de uma mudança definitiva na maneira como vejo os alimentos. Não foi necessário utilizar qualquer tipo de medicamento, tratamentos, produtos industrializados ou um desses milhares de atalhos que geram bilhões de lucros todos os anos para a indústria do emagrecimento. Eu apenas abasteci o meu “Eu Maior” com os conhecimentos que seriam utilizados por ele nas incessantes discussões travadas dentro da minha mente contra o meu maior adversário, meu “eu menor”.

Também tive a humildade de aceitar que nem sempre seria possível vencer todas as batalhas diárias, mas compreendi que uma guerra não é composta de apenas uma batalha e que ela não deve terminar diante da primeira derrota. Prossegui com persistência e disciplina.

Quem é o seu “eu menor”

O seu “eu menor” sempre lutará contra toda e qualquer ideia, projeto ou ação que você tente adotar para se tornar uma pessoa melhor. Mudar significa deixar sua zona de conforto. O desconforto é uma coisa que o “eu menor” está constantemente combatendo. Faz parte dos nossos instintos mais primitivos a fuga da dor, a busca pelo prazer e conforto imediato.

Se você tomar a decisão de crescer profissionalmente, financeiramente, melhorar sua relação com as pessoas ou mudar hábitos que melhoram sua saúde e bem-estar futuro, terá que enfrentar a resistência do “eu menor”, que não tem nenhum comprometimento com o seu bem futuro.

Ele só consegue enxergar o prazer e a dor no presente.  Por este motivo, ele sempre será o líder da resistência. Existe um livro muito interessante sobre a luta contra essa resistência. Ele se chama The War of Art (Guerra da Arte) escrito por Steven Pressfield. Infelizmente esse livro não é mais encontrado em português, mas isso não será problema. Devo falar mais sobre este livro em futuros artigos. É importante não confundir com o livro chines chamado “A Arte da Guerra”. Estou me referindo ao livro “Guerra da Arte” de Steven Pressfield.

Alguns exemplos de resistência do “eu menor”:

  • Se você tomar a decisão de emagrecer, a voz tentará te convencer a começar sua dieta e suas atividades físicas na segunda-feira da próxima semana, do próximo mês ou do próximo ano.
  • Se você decidir cortar supérfluos para poupar mais dinheiro e com isso realizar um sonho importante na sua vida, a voz irá fazer de tudo para sabotar suas economias criando desculpas para o seu adiamento.
  • Se você comprar um livro, seu “eu menor” resistirá para que você não o leia. Será mais um daqueles livros que você comprou e abandonou na estante sem completar sua leitura.
  • Se você precisa estudar ou entregar um trabalho importante, ele buscará distrações e te convencerá a deixar tudo para a última hora.
  • Sempre que você for convencido pela voz do seu “Eu Maior” a realizar qualquer ação que possa gerar algum sacrifício, algum desconforto presente, alguma espera, o seu “eu menor” será a voz da resistência e lutará para que você desista da ideia com o objetivo de manter o seu conforto, sua segurança e o seu prazer imediato.

Como diferenciar as vozes

É fácil identificar qual das duas vozes estão influenciando sua vida diante de uma decisão ou de uma situação. Uma voz sempre te impulsionará para o crescimento e a outra sempre fará o papel de resistência, impedindo qualquer mudança, mesmo que seja para melhor. A escolha sobre qual das vozes dar ouvidos é sempre sua. Sua escolha depende da sua afinidade com uma das vozes e do seu autocontrole.

“Eu Maior” “eu menor”
Fala sobre os resultados ao atingir um objetivo Fala sobre os sacrifícios para se atingir o objetivo
Fala sobre as soluções Fala sobre os problemas
Fala sobre como fazer acontecer Fala sobre como deixar que as coisas aconteçam
Fala sobre o que fazer Fala sobre desculpas para não fazer
Quando não dá certo diz: “eu errei” Quando não dá certo diz: “a culpa não foi minha”
Diante do problema resolve agora Diante do problema deixa para depois
Assume compromisso Faz promessas
Agradece Reclama
Tem coragem Tem medo
É otimista É pessimista
Pensa grande Pensa pequeno
Foca no longo prazo Foca o agora

A indústria que alimenta o seu “eu menor”:

Existe toda uma indústria, onde atuam diversos tipos de empresas, que faturam bilhões todos os anos oferecendo soluções rápidas, práticas, sem sofrimentos e sem sacrifícios para perder peso. Isso vai da editora que vende o livros e revistas sobre a dieta que está na moda, passa pela indústria de alimentos, indústria farmacêutica, academias, terapias e até tratamentos cirúrgicos que prometem milagres.

As pessoas gastam uma fortuna engordando e depois gastam outra fortuna emagrecendo em ciclos que duram a vida toda. O mercado não para de investir em pesquisas para o desenvolvimento de novos produtos milagrosos que perpetuem esses ciclos. O problema é que nada disso está fazendo efeito. Pesquisas mostram que as dietas são ineficientes. Apenas 1% daqueles que conseguem perder peso, através de dietas, mantiveram o novo peso por mais de um ano (fonte). A solução parece ser a de aceitar a ideia de que precisamos comer menos (fonte).

O problema é que comer menos não é interessante para a indústria e você precisa ter muita força de vontade e autocontrole para suportar o bombardeio de estímulos. Comer menos também vai contra nossos instintos e os hábitos sociais que estamos cultivando. Se somos seres biopsicossociais, não temos como mudar nossa biologia, não temos como mudar a sociedade, mas podemos buscar maneiras de controlar a nossa mente (psico). 

Se existe a indústria do emagrecimento, existe também a indústria da engorda. No Brasil, o mercado de alimentos industrializados fatura mais de R$ 452 bilhões por ano (fonte). Os industrializados classificados como “saudáveis” (se é que isso existe) faturam US$ 35 bilhões por ano só no Brasil (fonte). Somos um dos maiores consumidores de fast-food do mundo (fonte). Não é a toa que o homem mais rico do Brasil produz refrigerantes, cervejas e alimentos industrializados (fonte).

Não importa se você está fazendo dieta, não importa se resolveu comer uma alimentação saudável ou se prefere comida pronta por falta de tempo. Por todos os lados existem produtos e estímulos para que você mantenha o seu elevado consumo de alimentos industrializados, seja para engordar ou para emagrecer. A indústria só não quer que você mantenha seu peso estável.

Certamente estamos tentando combater o nosso problema de alimentação através de atalhos, paliativos e remediações. Ninguém está disposto a abrir o jogo com você e deixar claro que o descontrole alimentar e a obesidade é um sintoma do nosso estilo de vida moderno, aliado com a nossa ignorância alimentar e falta de autocontrole. É mais lucrativo vender soluções milagrosas. A sua ignorância alimentar e sua falta de autocontrole é uma grande oportunidade de negócio.

Na escola somos obrigados a decorar todo tipo de bobagem e saímos de lá sem saber cuidar do nosso próprio corpo e controlar a nossa mente. As coisas vão continuar assim por muito tempo. Já vimos que ninguém lucra com a sua decisão de manter um peso saudável através do conhecimento e do autocontrole. Se você acompanha o trabalho que desenvolvo no site Clube dos Poupadores, já deve saber que as instituições financeiras também encontraram formas de lucrar bilhões através da nossa falta de conhecimento e autocontrole financeiro. Quero mostrar que eles não são os únicos. Cabe a você investir tempo e energia no seu desenvolvimento pessoal, em todas as áreas. Quero compartilhar com você e te motivar a seguir por esta jornada de crescimento.

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