Quando declarei guerra contra meus impulsos e maus hábitos alimentares, iniciei uma busca por conhecimentos sobre o assunto. Precisava de informações para argumentar contra aquela voz interior pequena que tentaria me fazer desistir.  Li muito, assisti vídeos, palestras e fiz um curso online. Segui armado de conhecimentos para enfrentar a batalha que seria travada, refeição por refeição, dentro de mim. Se você não leu a primeira parte deste artigo clique aqui.

Perdi as contas das vezes que disse “não” diante de pensamentos pequenos do tipo:

  • “Só um pedacinho…”
  • “Só hoje, amanhã você volta para a dieta”
  • “Mais uma colherada não vai fazer diferença”
  • “Hoje foi um dia difícil, você merece comer um pouco mais”
  • “Esse aqui pode por ser light”
  • “A vida é muito curta para você não comer uma sobremesa agora”

Esse último argumento foi cruel e não deixa de ser verdade. Mas a questão transcende isso. A vida é muito curta para viver sem adquirir autocontrole, sem ser livre diante dos impulsos e desejos biológicos que podem atentar contra sua própria vida. Quantas vidas são abreviadas todos os dias por falta de autocontrole?

Nem sempre consegui ser forte no decorrer desses 141 dias de transformação. Em alguns momentos você acabará cedendo. Após o ato consumado, a voz do seu “Eu Maior” aparecerá frustrado, lamentando a sua fraqueza. É necessário encarar a possibilidade de falhar como algo que faz parte do processo, para evitar a desistência diante da frustração. A sua guerra será o resultado de inúmeras batalhas diárias. Uma derrota não justifica a desistência. O importante é que no final de cada mês o número de vitórias seja maior que o número de derrotas.

Nosso “eu menor” não atua apenas em nossos hábitos alimentares. Ele é o zelador e mantenedor de todo e qualquer tipo de hábito que nos proporcione algum prazer imediato ou alívio. Ao conquistar o autocontrole na área alimentar é provável que você consiga controlar outras áreas da sua vida com mais facilidade como a financeira, profissional e pessoal.

O dia da virada:

Como educador financeiro, sempre recomendo que as pessoas mudem seus hábitos financeiros. Isso significa controlar seus impulsos consumistas, poupar com disciplina, estudar sobre os diversos tipos de investimento, investir com consciência e persistência, acompanhar e avaliar os resultados.

Com o tempo, fui percebendo que apesar de ter esse autocontrole nas questões financeiras, faltava-me o domínio nas questões alimentares. Não é correto pedir para que as pessoas façam aquilo que você não consegue fazer. Mesmo sendo áreas diferentes (financeira e alimentar), tudo é uma questão de autocontrole. Se tenho autocontrole sobre uma, devo provar para mim mesmo que tenho autocontrole diante da outra.

Durante o ano de 2016 escrevi dois artigos falando sobre a mudança de hábitos. Esses artigos foram o estopim para o início da minha guerra contra o meu peso excessivo. O primeiro artigo foi sobre Distrações, Procrastinação e Problemas Financeiros (leia aqui). Neste texto, eu comento sobre a palestra de um autor que apresenta a figura do “Macaco das Gratificações Instantâneas”. É exatamente aquilo que chamo hoje de “eu menor”.

Depois de escrever este artigo comecei a perceber que embora este meu lado primitivo das gratificações instantâneas não fosse capaz de afetar meus hábitos financeiros, ele afetava os meus hábitos alimentares. Um mês depois, escrevi outro artigo chamado “Como ser bem-sucedido na vida (leia aqui)” baseado em outra palestra de outro autor. Ele fala sobre a maneira como nossas crenças produzem a força de vontade necessária para que possamos entrar em ação e como os resultados dessas ações acabam reafirmando ou negando nossas crenças.

Quinze dias depois de escrever este artigo sobre crenças, comecei a buscar informações para mudar as minhas crenças sobre alimentação. Li bastante. Encontrei informações de todos os tipos e para todos os gostos. Precisava de uma base teórica que fizesse sentido.  Eu não queria uma dieta. Não queria uma solução rápida. Queria uma solução definitiva. Eu queria reaprender a comer e isso significava uma reeducação alimentar para ser adotada por toda vida.

Até que comecei a encontrar informações que tinham alguma lógica. Eu precisava me alimentar da mesma forma que os meus ancestrais fizeram nos últimos milhões de anos. Aquilo fazia todo sentido.

Comendo como meus ancestrais:

O meu corpo é o resultado da evolução de uma espécie (H. sapiens) que evoluiu nos últimos 200 mil anos e que representa um gênero (Homo) que surgiu há cerca 2,5 milhões de anos. Durante todo esse tempo o corpo desses meus ancestrais se adaptou aos alimentos de origem animal e vegetal que eles eram capazes de encontrar na natureza.

Os melhores adaptados sobreviviam e perpetuavam sua genérica através dos seus descendentes. Isso significa que a genética do meu corpo é uma herança de milhões de anos que foi lentamente moldada a partir de decisões alimentares que meus ancestrais tomaram. Meu corpo espera que eu respeite essas adaptações que ele levou milênios para acumular.

O problema é que a sociedade começou a mudar rapidamente, bem mais rápido que a capacidade de a genética humana mudar junto. Somente nos últimos 10 mil anos as pessoas começaram a plantar os próprios alimentos. Se os 200 mil anos de evolução fossem transformados em 200 dias, seria como se a agricultura tivesse surgido 5 dias atrás. Já a industrialização dos alimentos teria surgido há algumas horas atrás. O quadro abaixo permite perceber onde estamos na história.

Estamos vivendo neste exato momento um processo de seleção natural. Os corpos humanos que se adaptarem aos alimentos industrializados, cheios de açúcares, carboidratos refinados e produtos químicos, irão sobreviver e sua genética será transferida para gerações futuras. Aqueles que não se adaptarem, infelizmente, irão morrer precocemente.

Eu sinceramente não quero fazer parte desse experimento de seleção natural imposto pela natureza. Não quero saber se o meu corpo suportará essas mudanças radicais que a humanidade criou recentemente nos seus hábitos alimentares.

A decisão mais sensata diante dessas constatações seria voltar a me alimentar da forma que o meu corpo espera que eu me alimente, ou seja, da maneira que meus ancestrais se alimentavam no passado. Milhões deles morreram precocemente nesse interminável processo de seleção natural e o meu corpo é o resultado das genéticas vencedoras.

Meus avós maternos e paternos, todos falecidos com idade próxima de 100 anos, não sabiam o que era obesidade e também não sabiam o que era alimento industrializado.

Foi diante dessas constatações que tomei a decisão de me alimentar apenas de comida com o mínimo processamento industrial possível. A ideia seria trocar todos os alimentos industrializados por alimentos que pudessem ser reconhecidos como comida por meus ancestrais.

Iniciei minha jornada sozinho, por entender que não seria necessário consultar um nutricionista para perguntar se seria correto trocar alimentos industrializados por comida de verdade.

Felizmente eu ainda lembro que ervilhas não nascem em latas, elas nascem dentro das vagens.

Alimentos de verdade

Fiz uma pesquisa sobre o que meus avós comiam no tempo em que não existia supermercado e grandes indústrias de alimentos. A alimentação naquele tempo era baseada em vegetais e carne de animais. Esses alimentos eram cultivados por eles ou por seus vizinhos. O processamento dos alimentos era mínimo. Sempre que existia algum processamento ele tinha relação com a necessidade de armazenamento e conservação. O leite que não era consumido imediatamente precisava se transformar em queijo, coalhada ou manteiga. A carne era no máximo salgada para ser armazenada. As frutas poderiam se transformar em geleias e assim por diante.

Resultados da mudança

Antes de falar mais sobre quais mudanças adotei, vamos ver os resultados que consegui. Primeiro é importante destacar que não adianta definir um objetivo e não determinar meios para avaliar se você está no caminho certo. A velocidade não é importante. A direção para onde estamos indo é o que importa.

Comprei uma balança para medir meu peso diariamente (como essa) e fixei um quadro branco na parede para anotar meu peso (como esse). As medições eram feitas diariamente, após acordar e retornar do banheiro. É importante padronizar o horário da medição. Quando você anota o resultado no quadro, isso cria um comprometimento público, já que sua família poderá ver o quadro. Uma folha de papel na parede, bem na frente da balança, também resolve.

Depois de algum tempo, passei todos os dados para uma planilha com o objetivo de criar um gráfico (veja logo abaixo). A ideia era observar a tendência de queda. Isso foi fundamental para me manter motivado. A motivação é muito importante para mudar hábitos.

Observe no gráfico acima que existiram picos onde o peso aumentou, mas logo depois ele voltava a cair. Em algumas semanas o peso quase não recuou, mas na outra isso acabava sendo compensado. O acompanhamento diário é importante. Com o tempo você vai observando quais alimentos, quais quantidades e rotinas da sua vida produziram impacto no seu peso na semana que passou.

Essas medições permitem que você possa se manter consciente. É diante da consciência dos fatos que podemos tomar decisões. Não é muito diferente daquilo que precisamos fazer quando estamos gastando mais do que ganhamos e nossas contas fogem do controle. Monitorar, observar e tirar conclusões significa estar consciente.

Acho útil anotar as medidas uma vez por semana utilizando uma fita métrica. Você pode medir a circunferência da sua barriga, cintura, tórax e coxa. Você perceberá que em determinadas semanas não perderá tanto peso, mas perderá medidas. Também é motivador tirar fotos semanais para acompanhar os resultados.

Como método de motivação eu comprei roupas de numerações menores para fazer testes. Uma vez por semana eu provava a roupa menor. Estava utilizando camisetas XGG. Comprei uma camiseta GG e fui observando semanalmente como ela ficava no meu corpo. Logo pude comprar uma camiseta G e atualmente estou fazendo testes semanais com uma camiseta M. Cheguei a usar calças número 52 e hoje estou usando número 44, que já está folgada. Não tenha pena de perder todas as suas roupas. Durante o processo de perda de peso compre o mínimo possível de roupas, pois elas se perderão.

O meu projeto de mudança começou no dia 10/08/2016. Meu peso naquele dia era de exatos 120 kg que caracterizava obesidade tipo 2. Como tenho 1,80 de altura o meu IMC era 37. O objetivo da primeira batalha foi atingido no dia 30/12/2016 quando cheguei aos 95kg. É fundamental que você estabeleça uma meta maior, para o final do processo, sem esquecer de diversas metas menores que podem ser metas mensais.

Você precisa aceitar a ideia de que no primeiro mês será possível perder mais peso que nos demais. Com o passar dos meses sua capacidade de perder peso irá diminuir e isso não será problema. Você precisa aceitar isso para não se desestimular com a queda na velocidade da perda de peso. A velocidade não é importante. Para engordar 5 ou 10 kg você demorou muitos anos e seu peso subiu grama por grama, dia após dia.

Para saber seu tipo de obesidade é necessário calcular o seu IMC. Para saber como fazer visite aqui. A obesidade é caracterizada quando o seu IMC está acima de 30. Veja a tabela. Para calcular o IMC basta visitar essa página do Google.

Meu objetivo nesta primeira etapa foi sair da faixa de obesidade 2, passar pela obesidade 1 e atingir a linha do sobrepeso. Foi no sobrepeso que vivi grande parte da minha vida. Para isso era necessário perder 25 kg passando de 120 para 95 kg.

Para manter-se motivado durante o processo, você pode estabelecer prêmios quando atingir um determinado resultado. Fiz isso no começo, que é etapa mais difícil, e depois não foi mais necessário, pois os resultados eram visíveis e se tornaram o grande prêmio.

Agora estou na segunda etapa onde irei deixar a faixa do sobrepeso para atingir um peso saudável. Na etapa anterior o foco estava na mudança gradual dos meus hábitos alimentares e agora meu foco será manter e consolidar os novos hábitos e introduzir mais atividades físicas.

Eu tomei a decisão de não tentar mudar hábitos alimentares ao mesmo tempo que tentava incluir uma rotina de atividade física. Seria muita mudança ao mesmo tempo. No passado, quando tentei mudar as duas coisas ao mesmo tempo foi muito difícil e não consegui manter. Quando tentei apenas introduzir mais atividade física, sem mudar os hábitos alimentares, não funcionou. Fazer atividade física com obesidade tipo 2 pode até ser perigoso. Agora pude iniciar minhas atividades físicas com menos 25 kg sobre meus joelhos.

Fazer atividade física regular é um grande desafio. O nosso “eu menor” é um defensor da lei do menor esforço, muito importante no tempo das cavernas, mas que precisa ser evitada nos tempos modernos onde nosso trabalho é sedentário.

Segundo o Dr. Drauzio Varella, que tem um ótimo canal no Youtube, a atividade física vai contra nossa natureza primitiva. Precisamos desenvolver muita força de vontade contra as vozes e pensamentos pequenos que alimentam nossa preguiça. Clique no vídeo abaixo para assistir.

Reduzindo a quantidade e prestando atenção

Para perder esses 25 kg iniciais tive que reduzir a quantidade de comida ingerida e aquela alimentação que fazemos por diversão e não por sentir fome.

Eu reduzi a quantidade de comida ingerida de tal forma que ela só fosse suficiente para eliminar a fome. Nunca mais me alimentei para me sentir empanturrado, cheio ou plenamente satisfeito. Sempre deixo um espaço e paro de comer ainda estando com um pouco de fome. Essa falsa fome irá passar depois de uns 15 minutos. É como se o corpo precisasse de algum tempo para digerir o alimento e se sentir nutrido.

Treine comer menos, mastigando mais e prestando atenção na comida. Desligue o smartphone, a televisão e pare de conversar enquanto come. Esteja presente. Perceba o sabor do alimento e não simplesmente engula. Isso fará uma enorme diferença.

Nada disso que falei será fácil. Você já está condicionado a comer no modo automático. Desligue o modo automático e faça sua refeição no modo manual.

Trabalhe sua mente para encarar a comida como uma fonte de energia e nutrientes e não como um lazer ou diversão. Isso não será fácil. Existe uma enorme carga emocional no ato de comer um churrasco com os amigos, chocolate com a pessoa que você gosta, pipoca no cinema, sorvete na frente da televisão, pizza no fim de semana e docinhos nas festas de aniversário.

Agora vou listar algumas mudanças que fiz e que geraram os resultados que obtive. Vale lembrar que não tenho nenhum problema de saúde ou alergia a qualquer tipo de alimento. Se você tem algum problema de saúde não deve mudar sua alimentação sem antes conversar com um profissional de saúde.

Açúcar

Reduzi drasticamente o açúcar da minha alimentação. O açúcar, da maneira que consumimos, também é uma coisa recente. Ele só se tornou popular e acessível no século XVII (1601 a 1700). Ele é o resultado de um processo de concentração (invento humano) onde eliminamos a água e as fibras da cana e deixamos apenas a sacarose. Não é diferente daquilo que fazem durante a produção de diversas drogas, onde os criminosos extraem o sumo de plantas, retiram a água, fibras e outras substâncias para isolar e concentrar aquele componente ativo de uma forma artificial.

Rapidamente o açúcar se tornou um vício global. As pessoas queriam adoçar suas bebidas e alimentos e pagavam qualquer preço por esse luxo. Isso justificou até o comércio de gente. Milhões de pessoas foram escravizadas (fonte) e morreram produzindo aquilo que até os dias de hoje é o vício dos vícios. Estudos recentes mostram que o açúcar causa dependência similar à da cocaína (fonte) além de problemas psiquiátricos.

É curioso observar que a natureza não fornece açúcar de maneira concentrada, livre de fibras, água e outras substâncias. O açúcar concentrado é algo artificialmente criado por nós. Comer uma fruta doce exige o consumo dos seus açúcares junto com suas fibras. Retirar e isolar o sumo doce para fazer o açúcar é uma forma de processamento criado recentemente e que só tem nos gerado problemas. Observe que aqui já começamos a desconstruir a imagem positiva que temos de alguns alimentos.

Provavelmente você não se considera dependente do açúcar. Eu mesmo não considerava até o dia que tomei a decisão de cortar 100% do açúcar da minha alimentação. Os efeitos colaterais foram muito fortes e eu já estava consciente da sua existência.

A primeira semana foi a pior de todas. A segunda já foi bem melhor. Sentia desanimo, mau humor, irritabilidade, dificuldade para me concentrar, sono agitado e cheio de pesadelos, gosto amargo na boca e um desejo muito forte de comer qualquer coisa doce. Eu sabia que se conseguisse superar aquelas primeiras duas semanas o resto seria fácil. Junto com o açúcar eu também cortei os pães, bolos, biscoitos e tudo que fosse feito de farinha de trigo.

Depois de 15 dias sem açúcar, você começa a perceber a diferença. O desejo pelo açúcar começa a cair. Você se sentirá com mais disposição. Você perceberá uma melhora na qualidade do seu sono. Seu peso vai cair com força pelo fato do açúcar reter muito líquido no corpo.

Depois de 1 mês sem açúcar você não quer mais saber dele. Você vai perceber que muitas oscilações que você sentia de humor, de motivação e disposição tinha relação com o açúcar. Nem preciso dizer que isso vai gerar um impacto positivo na sua vida profissional, pessoal e até financeira.

Sucos

O mesmo vale para o consumo de sucos de fruta. Troquei o suco por frutas. Você já teve a curiosidade de observar quantas laranjas são necessárias para fazer 1 litro de suco de laranja? Dependendo da laranja pode ser necessário entre 10 e 12 laranjas. Qualquer um pode beber um litro de suco de laranja durante o dia, mas dificilmente alguém comeria 12 laranjas. A natureza é muito inteligente quando concentra os sucos doces com as fibras. Ao comer a laranja, as fibras do bagaço irão ajudar desacelerando a absorção dos açúcares da fruta. Quando você separa o suco e joga o bagaço fora, está criando um produto que nenhum outro animal teria acesso se estivesse na natureza.

Gordura vegetal + Açúcar

Existe uma bizarrice que criamos na cozinha e que não existe nada parecido na natureza. Essa bizarrice deliciosa e viciante é a mistura do açúcar e da gordura em concentrações elevadas. Os alimentos mais saborosos e viciantes que existem são resultados dessa mistura.

Uma laranja pode ser doce, mas não possui gordura. O abacate é uma fruta muito gordurosa e sabiamente não é doce. A semente do cacau usada para fazer o chocolate é gordurosa, mas é muito amarga.

Já os sorvetes, chocolates, iogurtes adoçados, brigadeiros, bolos, pudins e outras sobremesas deliciosas inventadas pela humanidade são o resultado perverso da mistura de açúcar e gordura. A humanidade promoveu o encontro de duas coisas que a natureza fez questão de separar. Penso que o ideal seria evitar ou reduzir essa mistura.

Farinhas

Também reduzi o consumo de alimentos produzidos com farinha de trigo por considerar que ela é o resultado de um processamento que também elimina as propriedades naturais do alimento original e o transforma em um concentrado artificialmente rico em energia (carboidratos). Ao fabricar a farinha, você concentra o amido de uma grande quantidade de grãos de trigo. Dificilmente você conseguiria comer a quantidade de trigo que é necessário para fazer um bolo.

Reduzir a farinha é uma tarefa socialmente difícil. Da próxima vez que você for em um aniversário, observe que praticamente tudo que será servido é baseado em farinha. Tudo que se vendem nas lanchonetes são feitos com farinha. Restaurantes italianos, pizzarias, padarias, docerias, pastelarias, hambúrguerias etc. são grandes centros de produção e distribuição de farinha.

Posso adiantar que será muito trabalhoso se livrar do vício da farinha, do açúcar e da gordura quando estão misturados. É através dessa mistura, que profana as leis da natureza, que a humanidade criou as coisas mais saborosas da Terra. As filas que se formam na frente desses estabelecimentos que vendem essas delicias, são filas de vítimas, viciados inconscientes de alimentos deliciosos que não existiriam se não fosse a mente humana.

Sal

Também reduzi o consumo de sal. Os alimentos industrializados possuem muito sal. Ao eliminar o consumo desses alimentos eu automaticamente deixei de consumir todo esse sal. Passei a consumir apenas o sal necessário para que sua falta não se torne um incômodo.

O curioso é que ao reduzir o sal o meu paladar ficou mais sensível ao sal. No começo era incômodo, mas com o passar do tempo meu corpo começou a se adaptar. O pouco sal que colocava passou a ser suficiente. Comecei a perceber o sal natural dos alimentos, especialmente o gosto de sal em frutas e na própria carne. Preciso de uma quantidade pequena de sal para sentir o alimento salgado.

O mesmo aconteceu com o açúcar. Por ter reduzido muito o consumo de açúcar, meu paladar ficou sensível ao açúcar natural das coisas. Sinto o doce de legumes e verduras que antes não sentia. Para mim, esse aumento na sensibilidade do sal e do açúcar natural dos alimentos foi surpreendente. No começo, reduzir o açúcar e o sal é desagradável e até torna os alimentos menos apetitosos. Com o tempo você acaba se adaptando e isso será muito bom para você.

Frutas

Observei que existem dietas que querem restringir o consumo de frutas. Algumas até estimulam que você compre frutas que nem existem no Brasil. Provavelmente são dietas baseadas em hábitos alimentares de outros países. Eu não parei de comer frutas. Elas foram importantes no processo de redução do consumo de sobremesas e doces. Ninguém consegue comer uma quantidade grande de frutas ao ponto de isso prejudicar sua dieta. Uma única fruta será capaz de substituir uma sobremesa doce produzida com açúcares concentrados, gordura vegetal e farinha.

Leite e derivados

Não restringi leites e derivados, mas o fato de ter reduzido o consumo de açúcar me fez consumir menos produtos que utilizam leite. Muitas sobremesas usam leite, creme de leite, manteiga e outros. Continuei consumindo leite com café (uma vez por dia). Aprendi a fazer queijo e ricota temperada em casa e foi uma experiência gratificante pois resgatei uma coisa que meus avós faziam com grande naturalidade. Continuei comprando queijos. Onde moro é fácil encontrar queijos caseiros produzidos nas cidades do interior.

Chá, infusões e café

Beber chá e outras infusões é um hábito milenar. Provavelmente a água dos rios e lagoas não tinha sabor agradável e as pessoas perceberam que era melhor ferver e aromatizar a água. Criei o hábito de tomar chá e outras infusões entre as refeições. Tem muita gente que acha ser viciada em café, mas na verdade o vício é do açúcar colocado no café. Tente reduzir o açúcar dessas bebidas gradualmente.

Amêndoas e castanhas

Elas foram importantes naquele momento que bate a fome fora de hora, especialmente no início do processo. Um punhado pequeno desse tipo de alimento produz grande saciedade devido a existência de gorduras consideradas boas. Também fiz uso do amendoim, que apesar de ser um legume (como o feijão), dá o mesmo efeito de saciedade. Também utilizei muito a castanha-do-pará e a castanha de caju. Para evitar exageros como o amendoim cru e compro a castanha de caju menos torrada. Isso torna os dois menos saborosos e você fica satisfeito em comer apenas um pequeno punhado. Se você torrar e salgar esse tipo de alimento você vai acabar comendo como se fosse pipoca (em quantidades maiores do que deveria).

Por falar em pipoca, não parei de comer pipoca, mas passei a consumir menos vezes e em quantidade 3 vezes menor do que comia assistindo um filme. A pipoca é um alimento indígena. Foi descoberta pelos europeus junto com a América. Grãos como o milho, amêndoas, castanhas e legumes secos (que nascem em vagens) sempre foram ótimos alimentos para os povos primitivos. Era uma forma abundante de alimento, muito fácil de transportar e de guardar. Certamente nossos antepassados escaparam de muitos problemas armazenado esse tipo de comida e nosso corpo está adaptado a se saciar com o seu consumo.

Chocolate

O vício do chocolate é um problema que você terá de enfrentar. Na verdade, eu descobri que não era viciado em chocolate, pois a menor parte de uma barra de chocolate é realmente chocolate. Quase tudo ali é composto de açúcar e gordura vegetal, que nem sempre é da manteiga de cacau. Quem realmente é viciado em chocolate ficará satisfeito com aquelas barras de chocolate com mais de 70% de cacau.

Também existe o cacau puro em pó em alguns supermercados (sem açúcar, só o pó da semente torrada). É um pó muito perfumado, mas muito amargo. Há milhares de anos povos primitivos das Américas faziam bebidas amargas e sagradas com o cacau. Misturar o cacau com açúcar, gordura e leite foi ideia recente dos europeus (fonte).

Eu uso o pó amargo do cacau para aromatizar o meu café. O consumo de chocolate industrializado foi abolido da minha alimentação.

Bebidas alcoólicas

O homem se droga desde os primórdios, mas esse mau hábito primitivo não deveria ser copiado nos tempos modernos. Felizmente nunca tive o hábito de beber e tenho certeza que toda e qualquer afirmação que tente relacionar o hábito de beber como algo saudável é apenas uma maneira de estimular o vício. A indústria das bebidas alcoólicas é extremamente poderosa. Sempre vão aparecer pesquisas estranhas dizendo que uma taça diária de vinho de tipo X  faz bem se for consumida assim ou assado. Desculpe-me os apreciadores de bebidas alcoólicas, mas na minha opinião, tudo isso é uma grande bobagem. Uma coisa que usamos como combustível de automóveis ou como produto de limpeza não deveria ser ingerido. As bebidas alcoólicas vão prejudicar a manutenção do seu peso. Todo o glamour relacionado ao consumo de bebidas raras só serve como argumento para fazer você pagar muito caro por elas. Ótima estratégia de marketing adotada pelos produtores de bebida.

Sua mudança alimentar começa no supermercado

A sua mudança alimentar começa dentro do supermercado. Se você não comprar, você não terá o alimento disponível e isso ajudará muito. Tente fazer as suas compras separadamente das compras da sua família. Vá pessoalmente no supermercado caso não tenha esse costume. Selecione aquilo que você vai comer da mesma forma que todas as pessoas faziam no passado.

Muitas vezes a sua vontade de comer determinado alimento, especialmente frutas e verduras, pode significar que o seu corpo está precisando dos nutrientes daquele alimento. Os animais, conseguem selecionar aquilo que precisam comer quando estão na natureza. Nós perdemos essa habilidade graças aos vícios que cultivamos por determinados alimentos desenvolvidos por nós mesmos.

Também recomendo que você experimente aprender a cozinhar. Você passará a valorizar mais os bons alimentos se aprender a escolher e cozinhar sua própria comida. Não é difícil. É uma questão de querer. A internet está repleta de sites e vídeos que ensinam a fazer tudo que você possa imaginar.

Não tente mudar sua família e amigos

Não tente mudar as pessoas que moram com você. A sua mudança de hábitos alimentares é um problema seu. Primeiro mude, permita que as pessoas observem o resultado e naturalmente elas vão querer copiar seu novo hábito alimentar.

Pessoas que conheço e parentes perderam peso ao me verem perder peso, sem que eu precisasse motivar ninguém para isso. É o efeito do contágio social. Você é a média do que os seus amigos são. Se você está acima do peso, seus amigos tendem ao sobrepeso, se você resolve perder peso, pode ser que seus amigos sigam seu exemplo.

O seu bom exemplo é mais poderoso que as suas palavras. Permita que a sua família continue comendo da forma que sempre comeu. Não transforme a sua mudança em um transtorno para eles dentro da sua casa. Se isso acontecer, pode ter certeza que eles vão começar a te desmotivar. Se já é difícil vencer a luta diária conta nossos próprios instintos, imagine o que significa enfrentar os instintos alimentares dos outros querendo fazer você mudar de ideia.

Procure soluções para conseguir manter uma alimentação diferente, sem “atrapalhar” a alimentação dos seus familiares e amigos. Não responsabilize seus familiares por suas tentações. Se eles comprarem uma pizza, é problema seu resistir, não problema deles. Se você não conseguir resistir, a culpa é sua e não deles.

Desestímulo dos outros:

Durante o processo de readaptação alimentar você vai continuar sua vida e o fato de você não participar da “comilança social”, em diversos momentos (festas, aniversários etc), incomodará muita gente. Você será testado com frases do tipo:

  • “Hoje pode!”
  • “Só um pedacinho”
  • “Amanhã você começa a dieta novamente”
  • “Essa dieta deixou você chato”
  • “A vida é muito curta”
  • “Prefiro ser gordo e feliz”
  • “Esse negócio de dieta não funciona”
  • “Fiz o que você fez e engordei novamente”
  • “Eu desisti de fazer dieta, você deveria fazer o mesmo”
  • “Você era mais bonito quando estava gordo”
  • “Prefiro morrer de barriga cheia”

Não espere que as pessoas apoiem todo o seu esforço. Também não é bom contar vantagem sobre os seus resultados, pois isso acaba demonstrando que vencer o “eu menor” é possível e isso gera um desconforto naqueles que já tentaram e não conseguiram.

Muitas pessoas próximas tentarão sabotar a sua dieta oferecendo argumentos para que você demonstre ser tão frágil e incapaz como elas são. Recomendo que você evite conversar sobre suas mudanças alimentares e controle-se para não se tornar um evangelizador de pessoas que não estão interessadas no assunto. Elas irão se irritar e você ainda será visto como uma pessoa chata. Limite-se a responder as perguntas que fizerem e deixe claro que você está passando por uma mudança mental, lenta e gradual e não por uma dieta passageira.

Não é dieta, é mudança mental:

Outra coisa importante é não encarar o processo de mudança como uma dieta temporária. No meu caso, eu encarei como uma mudança nos meus hábitos alimentares com base na busca constante de mais conhecimento alimentar. Eu primeiro mudei a minha mente e foi essa mudança que se refletiu no meu corpo. Eu combati a minha ignorância alimentar e não os alimentos ou as calorias. A mudança foi de dentro para fora.

A maneira como vejo os doces, chocolates, pães, bolos e massas atualmente é bem diferente da maneira que via antes. Vejo de uma forma mais consciente e verdadeira. Os 25 kg que perdi foi por todos os doces, farinhas e industrializados que deixei de comer por alguns meses. As crises de abstinência, nas primeiras semanas sem comer açúcar, foram sofridas e não pretendo voltar a viver aquelas semanas novamente. Sofrer foi importante para compreender o custo que terei se desistir de tudo. Dietas sem sofrimento não funcionam. O sofrimento é extremamente educativo quando entendido.

Hoje, entendo claramente que o vício que temos por doces e produtos feitos de farinha não é muito diferente dos outros vícios que existem no mundo. Milhões de pessoas estão condenadas a sustentar esses vícios alimentares por toda vida, jogando tempo, saúde e dinheiro no lixo.

Respeitando os alimentos:

Se você tem uma assinatura do Netflix eu recomendo que assista a série chamada “Cooked” do jornalista e professor norte-americano Michael Pollan. A série é baseada no livro “Cozinhar, Uma História Natural da Transformação“. Esse material do Michael Pollan vai te ajudar a ver o alimento de uma outra maneira, ou seja, da forma que o alimento realmente é.

Essa série me ajudou a ter consciência sobre a importância da “comida de verdade” e a relação entre a comida que comemos e aquilo que somos. Ele também mostra o impacto negativo dos alimentos prontos e industrializados na nossa vida (em todos os sentidos). Você não fará compras no supermercado como antes.

O livro e a série são uma verdadeira reflexão filosófica. Você entenderá que cada refeição é um momento importante do nosso dia, uma conexão com nossa natureza e nossa essência. Verá o ato de cozinhar como um dos fatores que definem a espécie humana. Tudo isso baseado em dados históricos e científicos que não podemos questionar.

O respeito por nós e pelo alimento que comemos nasce do conhecimento. Somos feitos daquilo que ingerimos. Devemos ter cuidado com as coisas que estamos colocando dentro do nosso corpo. É a ignorância que nos conduz para o desequilíbrio e os exageros alimentares. Clique no vídeo abaixo para assistir o trailer:

Ignorância Alimentar

Você precisa compreender que da mesma forma que o mercado financeiro transforma a sua ignorância financeira em oportunidades de negócio, vendendo produtos financeiros ruins, a indústria dos alimentos tira proveito da sua enorme ignorância alimentar e vende produtos ruins, de baixo valor nutricional, alguns que fazem mal para sua saúde, sem que ninguém faça absolutamente nada com relação a isso.

Não é obrigação da indústria de alimentos te oferecer educação sobre a sua alimentação da mesma forma que não é obrigação dos bancos te oferecer educação financeiras. Cabe a essas instituições vender aquilo que você quer comprar.

A sua ignorância financeira e alimentar é que te induzem a pagar caro por produtos ruins, sem qualquer questionamento.

A sua educação é um problema seu e uma oportunidade de negócio para os outros. No caso da indústria de alimentos, já ficou comprovado que pouco importa para ela se você está fazendo dieta ou não, pois ela pode produzir alimentos para essas duas situações. Não importa se você não quer mais comer gordura, ela troca a gordura natural do alimento por outros químicos. Não importa se você resolveu não comer lactose, glúten ou cafeína, pois não faltam processos químicos industriais para retirar esses componentes dos alimentos, mesmo que isso os tornem mais artificiais. Se você não quer açúcar, não tem problema, existem os adoçantes artificiais. Se não quer comer carne, a indústria transforma soja em uma coisa que chamam de carne. Você vem com a necessidade e a indústria apresenta a solução rápida e prática.

Infelizmente, você não vai encontrar o produtor de tomate fazendo comercial na televisão para que você compre os seus tomates para fazer seu próprio molho de tomate em casa. Já a indústria que processa esses tomates e transformar em molhos, não vai medir esforços para convencer você a comprar seus produtos repletos de aditivos químicos e conservantes. Ninguém vai ensinar você a fazer queijo, creme de leite ou manteiga em casa. Ninguém vai te estimular a comprar frutas se mais lucrativo seria te estimular a comprar os sucos prontos.

Um canal no Youtube que recomendo para quem está começando é esse aqui (clique). Aprendi muita coisa neste canal. O autor tem livros e um curso que eu fiz, mas existe uma aula grátis que já te ajudará bastante, para saber como assistir visite aqui. Vale lembrar que não segui nenhuma dieta de maneira radical e fanática. Eu apenas colhi as informações que faziam sentido para mim e deixei o resto.

Mudança de rotina

Outro ponto chave para minha redução de peso foi a mudança na minha rotina. Tinha o hábito de trabalhar durante a madrugada e por consequência dormia até mais tarde. Inevitavelmente isso me obrigava a comer durante a noite. Para resolver esse problema passei a dormir às 22 horas para acordar entre 5 e 6 horas da manhã. Isso ajudou muito.

Os pequenos lanches e bobagens que comia durante a madrugadas foram substituídos por um café da manhã. Como não sinto fome durante a manhã, isso automaticamente me fez reduzir a quantidade diária de alimentos ingeridos. Observando meus avós e antepassados é fácil constatar que ninguém ficava comendo durante a noite. As pessoas dormiam cedo e acordavam cedo. Me alimento pela última vez por volta das 20 horas da noite. Ao acordar 6 da manhã eu completo um jejum de 10 horas (2h acordado e 8h dormindo). Muitos estudos falam sobre a importância desse descanso para o corpo. Você vai aprender mais sobre isso lendo esse outro artigo. Realmente faz todo sentido.

Por muito tempo trabalhei em escritórios em prédios comerciais, mas depois que casei optei por montar meu escritório em casa. Como tudo na vida, trabalhar em um home office tem suas vantagens e suas desvantagens. No caso do peso, tinha se tornado uma desvantagem. Estar em casa, com a geladeira e a cozinha disponível é desafiador.

Recentemente tomei a decisão de voltar a trabalhar em um escritório, só que optei por montar esse escritório em um pequeno apartamento residencial próximo da minha casa. Como não preciso de funcionários presenciais e não atendo clientes presencialmente era totalmente desnecessário manter os custos elevados de uma sala comercial. Hoje, no meu escritório, não existe geladeira. Trago de casa aquilo que irei comer durante o dia, nem mais e nem menos. O fato de ser obrigado a sair de casa também ajuda a aumentar minha atividade física.

No novo escritório deixei de usar o ar-condicionado. Manter a temperatura ambiente amena só serve para que o seu corpo gaste menos energia fazendo o controle natural da sua temperatura. A cidade onde moro tem temperatura amena, nem é muito gente e nem frio durante todo ano. A humanidade viveu muito bem sem ar-condicionado.

Outra coisa que passei a fazer como uma rotina capaz de queimar algumas calorias de forma útil é cuidar da limpeza do meu próprio escritório. As pessoas que conheço acham isso estranho. Imagine um advogado, um médico ou o presidente de uma empresa limpando o próprio escritório quando poderia pagar alguém (menos qualificado) para fazer essa tarefa.

O que eu realmente acho curioso é o fato das pessoas gastarem tempo e energia realizando tarefas repetitivas, monótonas e sem nenhuma utilidade prática dentro das academias para queimar as mesmas calorias. Não perceberem que poderiam fazer as mesmas atividades monótonas e repetitivas se humildemente aceitassem a ideia de que podem limpar aquilo que sujaram. Contratamos pessoas para limpar e organizar o que sujamos e bagunçamos devido a nossa crença de que limpar e organizar é uma tarefa sem importância, indigna ou inferior.

Essa é uma visão ocidental muito diferente da visão oriental. Você já viu a lição que os torcedores do Japão deram aos torcedores nos estádios brasileiros? Veja aqui. As pessoas aprendem a serem civilizadas na escola, assista aqui e limpar e organizar ajuda muito. No Xintoísmo e Budismo, que são as religiões mais seguidas nos países orientais, o ato de limpar e organizar é visto como algo sagrado. Para eles a sujeira e a bagunça na sua casa e no seu escritório é um reflexo da sua sujeira e bagunça interior. Uma coisa interfere na outra.

A bagunça que existe sobre a sua mesa de trabalho é a bagunça que está na sua mente e o seu próprio trabalho. Isso faz todo sentido. Nessas culturas não existe nada de errado, feio ou sujo gastar suas calorias organizando e limpando o ambiente onde você vive. Eles aproveitam esse momento para meditar e pensar sobre a própria vida. Eu aproveito para assistir (ouvir) aulas de cursos que estou fazendo, gravações de palestras e vídeos do Youtube de autores que sigo.

Da mesma forma que os monges transformam o ato de limpar o seu ambiente em algo sagrado, por qual motivo você não poderia fazer a mesma coisa, já que o seu lar e o seu local de trabalho são os seus verdadeiros templos? Vou deixar aqui o link de um livro curioso que li recentemente chamado “O manual de limpeza de um monge“. Você terá contato com uma maneira diferente de ver as coisas.

Coincidências estranhas

Um dia antes do dia de natal de 2016 estava próximo de atingir meu objetivo de perder 25 kg e estava pensava se faria sentido compartilhar isso no Clube dos Poupadores. Apesar de ser um tema relacionado com a saúde ele tinha fortes reflexos nas questões financeiras. Como já falei, a sociedade gasta bilhões engordando e bilhões emagrecendo em ciclos intermináveis de dieta em dieta. Além disso, conquistar o autocontrole sobre nossos impulsos alimentares é muito útil para controlar outras áreas da vida onde esses impulsos nos atrapalham, incluindo a área profissional e financeira.

Estava na dúvida se realmente deveria escrever o artigo ou até se deveria criar um novo site para tratar de temas que transcendem as questões financeiras, ou seja, que são mais importantes que o dinheiro, mas que geram consequências diretas ou indiretas nos nossos resultados.

Se você está lendo este artigo aqui no site Transcendência Financeira, já sabe qual foi minha decisão. Mas até o dia 23/12/2016 ainda não tinha tomado uma decisão definitiva, até que o meu smartphone tocou ao receber uma notificação do Youtube de que um novo vídeo havia sido publicado em um dos canais que eu sigo.

Para meu espanto era a notificação de um vídeo sobre emagrecimento chamado “Construir o simples: emagrecer”. Para meu duplo espanto esse vídeo estava no canal do Flávio Gikovate, médico psiquiatra, que eu sempre acompanhei no Youtube, e que não costumava publicar conteúdo sobre o tema. Mas o espanto ocorreu pelo fato do Gikovate ter falecido meses antes, no dia 13 de outubro de 2016.

Por questões obvias, desde a sua morte, nenhum novo vídeo tinha sido postado. Ele postava vídeos novos semanalmente. Para meu triplo espanto apesar de ser assinante do canal eu não tinha habilitado a função de notificação. Essa opção pode ser ativada pelo botão de um sino que aparece na página do Youtube. Quando você ativa esse sino, sempre que um novo vídeo daquele canal é publicado, você recebe uma notificação no seu smartphone, como se tivesse recebido uma mensagem.

Algum familiar do Flávio Gikovate resolveu publicar uma palestra antiga onde ele discute se obesidade é um problema biológico ou social. Essa palestra ocorreu no programa Café Filosófico. Por alguma razão que ainda desconheço, o Youtube me enviou a notificação pelo smartphone mesmo estando esse recurso desativado.

Após essas “coincidências” tomei a decisão de criar o site “Transcendência Financeira” por entender que poderia compartilhar conhecimentos sobre outras áreas que estudo com o objetivo de melhorar como pessoa e não apenas melhorar as questões financeiras. A grande verdade é que ao melhorar como pessoa é a base para melhorar em todas as áreas da vida.

Recomendo fortemente que você assista o vídeo do Flávio Gikovate até o fim para iniciar hoje o seu projeto de reeducação alimentar. Não foque em dietas. Procure controlar seu corpo e a sua mente. Procure conhecimento sobre os alimentos para tomar decisões com fundamentos que fazem sentido e não através de crenças sem sentido. Coma de uma forma consciente.

O Gikovate relata no vídeo que sofreu com a obesidade desde a sua infância até os 30 anos. Por uma grande “coincidência” ele fala sobre tudo que estudei quando tomei a decisão de mudar meus hábitos alimentares. No vídeo, ele apresentará diversos fatos que contribuem para a sua obesidade. Falará sobre questões genéticas, culturais, sociais e psicológicas.

Ele sugere a solução que está diretamente relacionada com a conscientização das raízes do problema e de mudança, para sempre, da maneira como comemos e o domínio sobre si mesmo. Clique no vídeo abaixo para assistir:

Para quem busca um site com artigos e vídeos sobre mudar seus hábitos alimentares, especialmente aquele voltado para a redução do consumo de alimentos ricos em açúcar, farinha e industrializados eu recomendo este site e este autor.

Eu sinceramente não recomendo a adoção de dietas específicas. Você deve mudar a forma como come não por estar seguindo uma dieta temporária e restritiva, mas por mudar sua forma de pensar e suas preferências alimentares de verdade, de maneira consciente, sempre buscando o autocontrole e o domínio das suas vontades e impulsos mais primitivos.

O que relatei aqui funcionou para mim, mas não significa que irá funcionar para você. Procure com paciência aquilo que funciona para você, sem esquecer de desenvolver o autocontrole, pois sem ele não será possível nem começar.

No fundo no fundo, sabemos quando estamos exagerando e fazendo a coisa errada. Dentro de nós sempre existirá aquela as duas vozes. Você é livre para escolher qual das duas irá ouvir.