Warren Buffett é o segundo homem mais rico do mundo, só perde para Bill Gates, com seu patrimônio de US$ 74.6 bilhões. Durante a produção de um documentário, perguntaram para ele qual foi o livro que mudou a sua vida.

Sabendo que Buffett se tornou um investidor de grande porte, ao adotar a estratégia de só comprar ações de boas empresas, podemos imaginar que o livro que mudou sua vida tenha relação com investimentos na bolsa de valores.

Realmente ele segue estratégias de investimentos que Benjamin Graham compartilhou em livros. Devemos lembrar que Graham é considerado o precursor da estratégia “buy and hold” de investimentos em ações, adotada pelo bilionário Warren Buffett. Foi seguir essa estratégia de “comprar e segurar” as ações de boas empresas que fez Buffett ser um dos maiores acionistas de multinacionais bilionárias como Coca-Cola, American Express, Gillette e Walt Disney.

Mas o livro que realmente mudou a sua vida, segundo uma entrevista que ele deu durante a produção de um documentário da HBO, não foi um livro sobre investimentos em ações. Também não foi um livro sobre como abrir negócios de sucesso e ficar rico.

Warren Buffett transformou sua vida lendo um clássico mundial da autoajuda chamado “How to win friends and influence people” que no Brasil se chama “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”.  Obs: não confunda influenciar pessoas com manipular pessoas.

Não preciso dizer que esse livro e o seu autor, Dale Carnegie, são odiados por “intelectuais” do mundo todo. Enquanto os intelectuais se esforçam para vender seus livros chatos e incompreensíveis, esse livrinho de autoajuda já vendeu mais de 50 milhões de cópias desde o seu lançamento. Faz décadas que o livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” aparece na lista dos livros mais vendidos do ano aqui no Brasil e em diversos países do mundo.

O livro fala sobre a difícil arte de se relacionar bem com as pessoas. Com uma linguagem muito simples, ele fala de técnicas que podem ser praticadas imediatamente e que melhoram as suas relações interpessoais. Muitas dessas técnicas são óbvias, mas é aquele tipo de óbvio que ninguém pratica por falta de bons exemplos que permitam entender o seu poder.

Para ilustrar seus ensinamentos o autor conta várias histórias vividas por ele e por pessoas ilustres da sua época como Winston Churchill (primeiro ministro do Reino Unido), John D. Rockefeller (investidor americano que foi um dos homens mais ricos do mundo),  Henry Ford (empreendedor fundador da Ford) e Abraham Lincoln (um dos maiores presidentes que os EUA já teve). Ele fala de pessoas que cresceram graças ao desenvolvimento da habilidade de conviver bem.

Dale Carnegie e o seu livro

Existem muitas histórias de Lincoln no livro mostrando como ele lidava com as pessoas de uma forma inteligente, indo no sentido contrário do que a maioria das pessoas faria se estivesse vivendo na mesma situação. Você já deve saber que Lincoln liderou os EUA durante sua maior crise, a Guerra Civil Americana. Se não fosse essa habilidade de Lincoln, os EUA não existiria da forma que conhecemos hoje. Certamente ele estaria dividido em diversos países envolvidos em conflitos e guerras até hoje.

“Adoro morangos com creme, mas percebi que por alguma razão os peixes preferem minhocas. Quando eu pesco (…) não coloco morangos com creme no anzol, eu espeto uma minhoca (…) Por que não usar esse mesmo raciocínio na hora de ‘pescar’ pessoas? — Dale Carnegie, frase do livro Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas” — Dale Carnegie, frase do livro Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas.

Warren Buffett ainda era adolescente em 1945 e enfrentava sérias dificuldades para se relacionar na escola. Foi naquele momento que Buffett encontrou um livro na biblioteca de seu avô que chamou sua atenção pelo título: “Como fazer amigos e influenciar pessoas”.

Para Buffett, aquele livro era a esperança para resolver os seus problemas sociais. Em 1952 chegou a fazer um curso chamado “A arte de fazer amigos” ministrado por Dale Carnegie, mesmo autor do livro. Esses conhecimentos foram tão importantes na vida de Warren Buffett que se você fosse convidado a visitar o escritório do segundo homem mais rico do mundo, o único certificado pendurado na parede seria o de conclusão desse curso.

 

Certificado no escritório de Warren Buffett

 

Buffett gastou US $ 100 para fazer o curso Dale Carnegie, quando tinha apenas 21 anos.

No documentário produzido pela HBO sobre sua vida, Warren Buffett disse:  “Se eu não tivesse feito [esse curso], toda a minha vida teria sido diferente” (fonte). É curioso destacar que o curso custou US$ 100 em 1952 quando ele tinha apenas 21 anos. Nos dias de hoje esses US$ 100 seriam equivalentes a US$ 911.06 ou R$ 2.879,72. Quantas vezes você gastou mais de R$ 2000 na sua vida com instrução e quantas vezes gastou esse valor com diversão? Atualmente o livro custa menos do que você gastaria comprando uma pizza, veja aqui.

Agora observe que coisa curiosa. Quantas pessoas você já viu reclamando, criticando e jogando pedras em autores e livros de conteúdos classificados pejorativamente como sendo de autoajuda?

Quantas dessas pessoas você conhece que criticam autoajuda, ou qualquer outra forma de autoconhecimento, que sejam bem-sucedidas na vida pessoal, familiar, profissional ou financeira?

Talvez você não saiba, mas educação financeira é um braço da autoajuda. Todos os autores da área de educação financeira e todos os livros que produzem são livros de autoajuda. O termo autoajuda pode se referir a qualquer caso onde um indivíduo procura se aprimorar economicamente, espiritualmente, intelectualmente ou emocionalmente.

Isso significa que todos os filósofos e todos os livros que eles escreveram até os dias de hoje, são obras de autoajuda. O único problema é que a maioria desses pensadores são incompreensíveis. Eles se aprimoraram na arte de escrever livros de difícil entendimento, praticamente inacessíveis, obrigando as pessoas a procurarem aqueles que possam “traduzir essas obras”. Isso fez surgir a figura do “Professor de Filosofia Popstar”.

Com a internet, professores de filosofia se tornaram populares, assim como professores de educação financeira. O conteúdo de filosofia de difícil entendimento se tornou acessível e popular. Todos eles passaram a produzir livros de autoajuda, embora poucos queiram assumir que fazem autoajuda. Um professor que gosto muito, e que assume abertamente que faz livros autoajuda, é o Mario Sergio Cortella. No vídeo abaixo ele fala sobre questões filosóficas que possuem uma forte relação com a sua vida financeira.

Agora veja o modo de pensar das pessoas que criticam livros e autores de autoajuda, sem reconhecerem que os livros que escrevem também são obras de autoajuda.


No vídeo acima, o Leandro Karnal, que também é autor de livros de autoajuda (embora não goste de assumir isso), gastou tempo e energia para desqualificar Dale Carnegie e seu livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. Também desqualificou o que chamou de “Teologia Monoteísta” que é a base do pensamento cristão e judaico. Desqualificou o Budismo, os Estoicos (estoicismo foi uma escola de filosofia com grandes pensadores como Sêneca e Epicteto) e completou dizendo que o Cristianismo é uma versão para estúpidos dos ensinamentos do filósofo Platão,

Ao lidar com pessoas, se lembre que você não está lidando com criaturas lógicas, mas com criaturas cheias de preconceitos e motivadas por orgulho e vaidade. — Dale Carnegie, frase do livro Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas.

Leandro Karnal chamou o livro de “Bíblia da Felicidade Pequeno Burguesa Ocidental Americana“. Pequena Burguesia é um modo pejorativo de chamar a classe média, muito usado por pensadores marxistas (defensores do pensamento de Karl Marx). Logo depois, com ironia, Karnal diz que sua crítica ao livro pode ser inveja das milhões de cópias que foram vendidas perante as poucas vendas dos seus próprios livros. Depois ele apresenta uma síntese do livro como se estivesse fazendo um show de humor, stand-up comedy típico ocidental americano.

Dizem que esse modo de pensar rancoroso, contra aqueles que conseguem sucesso (como vender 50 milhões de livros), é uma característica dos pensadores que chamam a classe média de “pequena burguesia”. O insucesso pessoal se transforma em raiva contra livros muito vendidos, classes sociais específicas, pessoas de sucesso e contra sistemas econômicos mais competitivos.

“Qualquer tolo sabe criticar, reclamar e condenar — e a maioria dos tolos faz isso. Mas compreender e perdoar exige caráter e autocontrole” — Dale Carnegie, frase do livro Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas.

Após as gargalhadas da plateia, ele critica os livros de autoajuda por venderem a ideia de que existe uma fórmula pronta que pode resultar em felicidade na vida de qualquer pessoa. Em seguida ele conclui afirmando que cada pessoa do planeta tem a sua receita de felicidade e que nem sempre o que funciona para um irá funcionar para o outro.

Ele está corretíssimo neste pensamento do final do vídeo, mas talvez tenha faltado ao Leandro Karnal a sabedoria necessária para perceber o óbvio.

Cada livro de autoajuda conta o caminho único que cada autor trilhou para atingir o próprio desenvolvimento pessoal. Cada livro fala sobre um dos 7 bilhões de caminhos que o Leandro Karnal afirmou existir.

É tarefa do autor compartilhar o seu caminho. É tarefa do leitor visitar esses conhecimentos compartilhados pelos inúmeros autores como se estivesse diante de um pomar repleto de árvores com os mais variados tipos de frutos. Você achará alguns frutos bons e outros ruins.

É você que vai fazer a colheita do que acha bom e útil para construir o seu próprio pomar ou sua receita de bolo para uma vida melhor. Do livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” eu pude colher diversos frutos úteis. Ao assistir esse vídeo do Leandro Karnal eu colhi as ideias interessantes e joguei no lixo as bobagens que ele falou. Faço o mesmo quando acesso o pensamento de filósofos como Friedrich Nietzsche, que o Leandro Karnal gosta de citar. Algumas ideias de Nietzsche são interessantes e outras são apenas lixo, com demonstrações de raiva e pessimismo que acabaram o levando para a loucura.

Controle o seu temperamento. Lembre-se: o tamanho de uma pessoa corresponde ao tamanho das coisas que a deixam com raiva.  — Dale Carnegie, frase do livro Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas.

Os livros de autoajuda possuem um papel importante por permitirem que as pessoas tenham acesso fácil ao que funcionou na vida das outras pessoas. Muitos desses autores foram grandes homens, grandes exemplos que impactaram positivamente a vida de milhões de pessoas. Isso não significa que a receita vai funcionar com você, mas permite que você colha os ingredientes que utilizará na sua receita pessoal.

Fica aqui uma dica preciosa que funcionou para mim e que talvez funcione para você. Não feche a sua mente para as mais diversas formas de conhecimento. Cuidado com o preconceito no mundo das ideias. É possível colher ingredientes que podem melhorar a sua vida através das mais diversas escolas do conhecimento por meio de livros, cursos, palestras, vídeos, etc. Muitas vezes o que falta para melhorar a sua vida já foi vivido por alguém no passado que resolveu compartilhar. Pode ser que as experiências dessas pessoas possam inspirar você de alguma forma.

Colha as ideias úteis para sua vida, aquelas que fazem sentido. Jogue fora o que não faz sentido. Muitas vezes você vai jogar fora ideias preciosas, mas que você ainda não estava preparado ou preparada para entender. Uma ideia que não pode ser entendida por falta de maturidade ou de conhecimentos prévios é totalmente inútil para você. Isso não significa que não tenha utilidade para outras pessoas.

Quando estiver investindo no seu desenvolvimento pessoal prepare-se para a existência de pessoas que detestam a ideia de que você tem o poder de mudar a si mesmo e o seu destino. Elas detestam todos que pregam a autorresponsabilidade e a liberdade das pessoas. Essas pessoas acreditam que somente os intelectuais, letrados, diplomados, certificados e autorizados por uma instituição ou pelo Estado possuem poder de transformação na vida das pessoas. É uma posição confortável que transfere a responsabilidade para terceiros.