Dificilmente você terá sucesso duradouro na sua vida profissional, financeira e pessoal se não for capaz de conduzir suas ações através da ética. Ética é uma palavra que muitos falam, mas que poucos a entendem. Sem entendimento, a prática da ética no dia a dia é impossível, pois ela exige consciência e vigília. Se não praticamos a ética retornamos para a barbárie. Dedique alguns minutos lendo este artigo e garanto que você fará uma grande reflexão sobre sua própria vida.

O que diferencia o homem de todos os outros seres? A nossa capacidade de tomar decisões que vão contra nossos desejos e instintos mais primitivos. Essa capacidade, exclusiva dos seres humanos, muitos pensadores chamam de vontade.  Ela está baseada no uso da nossa razão e representa a nossa liberdade de agir e de sermos responsabilizados pelas consequências dos nossos atos.

É importante que você entenda a diferença entre instintos, desejos e vontades para identificar quem está guiando suas ações neste momento.

Instinto é aquela voz interior que se comunica conosco no modo imperativo, ou seja, ele não para de emitir ordens. Não é uma exclusividade humana. Exemplos:

  • Coma.
  • Beba.
  • Leve.
  • Durma.

Desejo torna a ordem instintiva mais específicas. Exemplo:

  • Coma chocolate, é mais gostoso.
  • Beba vinho, é mais divertido.
  • Leve para casa, achado não é roubado.
  • Durma até tarde, você merece!

A vontade é uma exclusividade humana e permite que ele escolha (liberdade) se realmente vai obedecer o instinto e se isso será feito de modo justo, injusto, bom ou mau, certo ou errado, legal ou ilegal, etc. Nós escolhemos se o que será feito será de maneira ética. Exemplo:

  • Não é um bom momento para comer chocolate. Coma uma fruta.
  • Beba água, pois você vai dirigir e não deve pôr a vida dos outros em risco.
  • Não leve. Achado não é roubado, mas é crime de apropriação de coisa alheia (Art. 169 do Código Penal). Coloque-se no lugar da pessoa que perdeu o objeto e faça aquilo que você gostaria que fizerem quando o objeto fosse achado. Devolva!
  • Não durma mais. Levante-se agora, você precisa terminar aquele trabalho importante. Vá dormir cedo da próxima vez.

Sua mente é como um cabo de guerra. De um lado da corda existe um “eu menor”, emotivo, instintivo, egoísta e imediatista que olha apenas para o próprio umbigo. Ele defende seus desejos, prazeres, pulsões, inclinações e tudo que está relacionado com o seu lado mais primitivo. Do outro lado da corda existe um “Eu Maior” que defende o seu crescimento pessoal, em todas as áreas, pelo caminho justo, bom e correto, mesmo que isso resulte em um desconforto diante das privações de desejos e prazeres.

Nesse cabo de guerra o lado mais forte sempre irá arrastar o outro. Para saber qual é o seu lado mais forte basta observar qual dos dois você está nutrindo através de ideias, pensamentos, palavras e ações que o fortificam.

Milhões de pessoas vivem literalmente arrastadas de um lado para o outro por seus desejos, sofrendo todo tipo de consequência, especialmente a dor da frustração por ter consciência da falta de controle sobre seus próprios atos. Viver arrastado por desejos é sinal de escravidão, não é liberdade.

É fácil perceber que existe algo dentro de nós que pensa, reflete, escolhe e tenta impor nossa verdadeira vontade diante da ditadura dos instintos que nos aproximam da nossa natureza animal.

Devemos entender a ética como o domínio da nossa natureza animal para viabilizar o bom convívio entre nós e as outras pessoas. Podemos expandir essa ideia para o bom convício entre nós e toda a natureza que nos cerca.

  • Somos éticos quando nossa inteligência, movida pela boa vontade, está no controle das nossas ações.
  • Deixamos de ser éticos quando o nosso corpo, através dos instintos, desprovido de inteligência, está no controle das nossas ações.

Agimos com mais ética quando adquirimos a consciência que nem todos os nossos desejos devem ser saciados, pois nem todos são bons, justos e corretos para nós e para os outros.

Aqui mesmo no site Transcendência Financeira já mostrei, neste outro artigo, o que significa assumir o controle da sua alimentação, indo contra seus instintos e desejos alimentares. Mostrei como assumir o controle diante das distrações neste outro artigo. Também mostrei o que fazer para vencer nossa natureza com o objetivo de aprender mais e melhor, veja aqui. Existem pessoas

No meu outro site, Clube dos Poupadores, estou sempre falando sobre a necessidade de controlar nossos impulsos e desejos imediatistas de consumo. Sempre mostro a importância do conhecimento para o planejamento inteligente das nossas finanças. É isso que garantirá um futuro tranquilo, abundante, livre de dívidas e de problemas financeiros. O dinheiro não aceita desaforo por ser regido por leis matemáticas muito precisas. A falta de controle, inteligência e discernimento resulta em sérios problemas financeiros, escassez e pobreza. Nos casos extremos de falta de ética no mundo do dinheiro, quando além de prejudicar você mesmo, você passa a prejudicar os outros, o resultado será sempre a violência, a cadeia ou a morte. Não faltam exemplos na nossa sociedade de pessoas de todas as classes sociais, todos os níveis de educação formal, que escolhem caminhos desprovidos de ética para atingir seus objetivos na vida.

Nossos instintos animais e desejos são fortes como um grande elefante, mas se apequenam e se curvam diante da grandiosidade da nossa boa vontade quando ela está consciente e no controle da nossa vida.

“A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos” – Sigmund Freud. Foto do artista Gregory Cobert.

A diferença entre um guepardo e um homem

O que um guepardo (chita) faz quando o seu território é invadido por um intruso? Sem possibilidade de escolhas, sua natureza impõe que lute até a morte ou a fuga.

O que um guepardo faminto faz quando encontra outro guepardo comendo uma presa que acabou de ser caçada? Sua natureza impõe que respeite a lei do menor esforço. Ele tentará roubar o alimento do outro guepardo.

O que um guepardo faz  diante de uma manada de antílopes? Sua natureza impõe que ele persiga e mate os antílopes pequenos, velhos ou doentes, pois pela lei do menor esforço, suas vítimas serão sempre selecionadas entre as mais fracas e indefesas.

“Princípio da mínima ação: a natureza é econômica em todas as suas ações” – Pierre Louis Moreau de Maupertuis.

E os humanos? O que as pessoas, quando movidas por instintos, fazem diante das mesmas situações que listei acima? Elas fazem as mesmas coisas que um animal irracional faria. O torcedor fanático agride o torcedor do time rival quando ele invade o seu território. O homem, diante da lei do menor esforço e da irracionalidade dos instintos, furta, rouba e mata, seja utilizando o poder de uma arma ou o poder na ponta de uma caneta. Da mesma forma que os animais predadores caçam as presas mais frágeis, homens desprovidos da ética são predadores de outros homens. Abusam da fragilidade e da ignorância das outras pessoas, tirando proveito disso, como se estivessem diante de presas fáceis.

O animal não é livre para escolher outro caminho a não agir segundo aquilo que seus instintos exigem. O homem, único dotado de razão, tem a liberdade de agir segundo a sua vontade, que pode ser má ou boa vontade. Por este motivo, podemos julgar se os atos de um homem são éticos ou não, ou seja, se são bons, corretos e justos. O mesmo não pode ser feito diante dos atos de um animal.

O que a sociedade organizada, em qualquer país do mundo, faz com pessoas que se comportam instintivamente como animais irracionais? As colocam em jaulas, não muito diferentes das jaulas destinadas aos animais nos zoológicos. Alguém incapaz de negar as ordens que partem dos seus desejos e instintos já não é suficientemente livre. A liberdade de pensamento e ação humana se conquista através da boa educação que é o alicerce da civilidade.

Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta – Confúcio.

Conclusão e próximo artigo:

Tudo aquilo que o homem faz além dos seus instintos para viver se chama vontade, que pode ser boa ou má. A grande dúvida entre os pensadores está em quais critérios utilizar para definir se a nossa vontade é boa ou má? Como saber se nossas decisões e ações são éticas ou não? No próximo artigo falaremos sobre essas questões. Também falaremos sobre a busca da felicidade através da obrigação de satisfazer desejos e a felicidade através da liberdade de escolher agir na contramão dos nossos desejos.

Para terminar, faça suas reflexões assistindo os vídeos abaixo com imagens do fotógrafo Gregory Cobert: